Não basta ser bom, é preciso ser visto: O novo peso do mérito digital
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| Não basta ser bom, é preciso ser visto: O novo peso do mérito digital - Imagem criada pelo Copilot - |
A dor da invisibilidade profissional -
A frustração nasce silenciosa, mas cresce como um peso constante no coração de quem se dedicou anos ao estudo, ao esforço disciplinado e à prática de uma profissão que domina com competência. É o sentimento de saber fazer bem, de ter a capacidade comprovada, e ainda assim não ser chamado, não ser lembrado, não ser reconhecido.
O paradoxo do mérito vs. exposição
O paradoxo é cruel: enquanto o mérito técnico e a instrução deveriam ser suficientes para abrir portas, o que se impõe é uma lógica diferente, quase alheia ao valor real do trabalho. A constância nas redes sociais, a presença digital repetida e incessante, torna-se o critério invisível que decide quem será lembrado e quem será esquecido.
A mecânica da lembrança no mercado atual
Assim, pessoas menos preparadas, mas mais hábeis em se manter visíveis, ocupam espaços e conquistam oportunidades. Não só porque dominam a profissão, mas também porque dominam a dinâmica da lembrança, a mecânica da exposição. Aquele que não se faz presente virtualmente, ainda que carregue consigo conhecimento sólido e experiência prática, vê-se apagado, como se sua competência fosse irrelevante diante da ausência de uma imagem constante.
O desafio à lógica da excelência
Essa realidade corrói a esperança e desafia a lógica do mérito. O profissional que se preparou, que sabe exercer seu ofício com excelência, sente-se deslocado em um mundo onde a repetição da imagem vale mais do que a profundidade da capacidade. O reconhecimento, que deveria nascer da qualidade, nasce da constância. E o silêncio da ausência digital transforma-se em esquecimento, alimentando a sensação de injustiça e impotência diante de um cenário em que ser lembrado não depende do que se sabe, mas do quanto se aparece.
A visibilidade como nova qualificação técnica
No entanto, embora essa nova realidade pareça um jogo desigual, em que o talento se perde na sombra da invisibilidade digital, e a frustração se instala como uma ferida aberta, em um mundo que não basta ser bom, é preciso ser visto, tornou-se inevitável reconhecer que a habilidade de construir visibilidade digital passou a ser um elemento indispensável na própria qualificação técnica de qualquer profissional. O domínio das redes sociais, a constância na exposição e a capacidade de transformar presença em lembrança não são mais acessórios, mas parte integrante da competência exigida pelo mercado.
Além das ferramentas: o poder do engajamento
Hoje, não basta dominar teorias, práticas e ferramentas da profissão; é necessário também compreender e manejar os mecanismos de alcance e engajamento que definem quem será lembrado. A técnica, por si só, já não garante espaço, ou seja, ela precisa ser acompanhada da habilidade de se projetar, de se manter presente, de ocupar o imaginário coletivo por meio da repetição e da constância.
O equilíbrio entre saber e aparecer
Assim, a visibilidade digital se impõe como uma nova camada de qualificação, tão essencial quanto o conhecimento formal, e quem não a domina corre o risco de permanecer invisível, mesmo sendo plenamente capaz. É nesse ponto que se desenha o desafio maior: aprender a equilibrar a excelência do saber com a estratégia da lembrança, para que a competência não se perca no silêncio da invisibilidade, mas possa finalmente ser reconhecida e valorizada.
A nova configuração do talento contemporâneo
Isso porque a capacidade técnica precisa caminhar lado a lado com a habilidade de se tornar visível, de se inscrever na memória coletiva por meio da presença digital constante.
Reconhecer essa exigência não significa aceitar passivamente a injustiça do jogo desigual, mas compreender que, na realidade contemporânea, o talento só encontra espaço quando se alia à exposição.
No fim das contas, essa configuração do mundo profissional revela uma transformação profunda, ou seja, a qualificação técnica formal continua sendo essencial, mas já não se sustenta sozinha.

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